se tem uma coisa que me prende é a sutileza. mas falo das sutilezas originárias, daquelas bem tradicionais. é que hoje nos acostumamos a aceitar produções em larga escala, sentimentos no varejo, que me vi obrigada a fazer esta ressalva. e aí por mais que priorizem a quantidade, ainda dou valor a tudo que tem um traço diferencial.
nada me chama tanto quanto olhos que se movem suavemente, que fitam olhos e boca num só gesto, nervosos e turvos, mas como se estivessem vazios. são olhos que falam no silêncio, pontuais e objetivos, que chamam sem rodeios, mas que aos desatentos nada são.
é a sutileza de um gesto, de uma mão na outra mão conscientemente ao acaso, que faz aflorar o desejo, ainda reprimido pela dúvida, pela dúvida causada pela sutileza!
ah, e como se perde o sentido nessa hora. e como se pensa em avançar, em se declarar, mas em outro instante se é tomado pela razão e pela dúvida e se dá dois passos para trás.
obra da sutileza, meus caros.
mas bem analisando, a sutileza também faz atiçar. e a entrega depois é prêmio maior pra quem persiste.
e o encontro depois é sem cerimônias, sem meias palavras, sem dúvidas e sem roupas - a sutileza fica pras outras horas.
sábado, 24 de abril de 2010
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