domingo, 21 de setembro de 2008

A janela.

Olha lá, meu bem, o dia nascendo. Os carros passando, as pessoas correndo, tudo se ajeitando. É a rotina de cada dia, de todas as pessoas.

Mas vê pela janela. Consegue enxergar o dia lá fora? O sol amarelo invade essas paredes cheias de cores e deixa branca a minha visão, que converge num só ponto: o seu sorriso.

Hoje o dia é nosso. O mundo vai parar pra gente viver. O banho vai ser no mar, as assinaturas serão na areia, que marcarão juras eternas de amor, como se a vida se resumisse a este momento.

Vem, me dá a mão. Acredita nessas frases pré-fabricadas, nesses gestos sem jeito, acredita que posso ser seu "meu".

Deita no meu colo. Deixa eu sentir seu cheiro. Deixa eu mostrar a seus lábios a doçura da minha paixão.

Não lhe prometo meu amor, mas meu "eu" por completo. Não peço sua mão, mas você inteiramente. Não te quero do meu lado, mas quero ser seu lado, sua metade. Quero tomar conta de seus pensamentos. Quero te invadir, tomar seu poder. Derrubar a dúvida, o medo e o receio e instaurar minhas promessas vitalícias, meu amor soberano.

Hoje quero acreditar nas coisas. Hoje me dou por completo. Nada de formalidades. Vamos abandonar a razão. Te darei respostas loucas para perguntas simples. Pra começar, te prometo o céu e as estrelas.

Senta do meu lado, sente essa areia. Nada de palavras. O silêncio fala por nós dois. Ficaria assim por toda a eternidade.

E quando o sol se pôr, a gente volta a admirar o lado de lá pela janela, sobre a qual me apoio esperando você passar.

4 comentários:

Pedro Guimarães disse...

O amor parece que ignora a gente... Eu diria mesmo que temos essa paixão platônica pelo amor. Esse lirismo que nos aprisiona.

Ando com um pouco de raiva dele, mas sei que ele é o sangue de minha poesia pouca.

Não sei como achou o Olhando Satélites, meu refúgio das madrugadas, mas será muito bem-vinda. Também vou vir aqui every now and then, pois sem o olho do teitor, a literatura não é fecunda. Os olhos do leitor são o óvulo para o sêmen da palavra.

Danilo Meneghel disse...

Minha filósofa-poeta-prosadora-amiga Renata!

Sou seu fã hem?

É sim!

Carlos Eduardo disse...

Verdade dos Apaixonados

Da rua vejo uma janela
E debruçada sobre ela, melenas voando pelo ar
Daqui sinto seu perfume e sua sede de amar

Vem amor, não tenha medo de se dar
Vida nos sobra, nostalgia não tem vez

Sonharemos, sim! (e muito)
Sonhar é pressuposto do amor
Infelizes os que nunca amaram
E que não sabem o que é compartilhar

Lhe digo verdades que somente os amantes podem acreditar
E que os descrentes jamais poderão duvidar

Unknown disse...

Lindo, Renatinha.
Lindo MESMO.