Hoje me peguei pensando no que ando pensando todo dia. Mais uma vez sua imagem doce me veio à mente e ao corpo com as conseqüências todas e a saudade de sempre sufocante. Mas hoje venho lhe falar coisas mais secretas, que sempre estiveram envolvidas, escondidas, longe dos outros – e longe de você, meu bem.
Não que tudo isso seja tão difícil, mas, à primeira vista, também não é fácil, por isso te peço paciência e doses de compreensão.
É que a anarquia tomou conta de mim, de tal modo que não mais consigo parar e pensar, porque ajo instintivamente em busca de você. Mas tenho receio de minhas crises e instabilidades diante de seu sorriso sempre bondoso. Não que eu não me ache merecedora de tudo isso. Pelo contrário. Mas é que tenho meus medos. E às vezes eles florescem à pele, assim, do nada, e me assustam, e me provocam arrepios e roubam meu sono diante de mil questionamentos.
(E quando olho pro lado eu vejo você.)
E nem falo de garantias. Estas nunca existiram e nem hão de aparecer por agora. Não nos iludamos.
Eu falo de mim mesma. E falo também de você. Do modo que você tomou conta de mim. De um modo que eu espero ser irreversível, eterno, sem perspectivas outrora e agora com centenas de sonhos pro futuro.
Mas o fato aparentemente seguro de te ter já é capaz de reunir todos os requisitos necessários para te perder. Por uma lista de motivos - fúteis ou cruéis - que me deixarão da mesma forma: parada, quieta e longe da vida.
Você não sabe, minha cara, como é dividir seus beijos com imagens de separação, de perda.
(De quem escutarei as melhores palavras no melhor dos sorrisos?)
Eu sei, parece loucura, mas é que pensar essas coisas já faz parte de mim. Não por este ser o futuro que visualizo, mas pelo grande medo de sê-lo.