terça-feira, 30 de junho de 2009

a tempos

Tenho que lhe dizer que ainda guardo seu gosto junto com todas as marcas que você me deixou. Já passaram tantos olhos, tantos beijos e outras promessas, mas, em dias como hoje, aquele sofrimento reaparece, na mesma medida de antes, parecendo recém causado.

E traz a dor.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Porque hoje me vejo transparente, despida de tudo e de mim mesma. Não há mais nada que eu possa esconder. Nem as coisas mais íntimas, nem os sonhos mais secretos e os desejos mais desvirtuados e amorais.

Eu ando assim, desse jeito, sem olhar para os pares, fugindo dos únicos, tendendo à generalidade e à abstração dos demais.

É uma mistura de caos e calmaria que parece ter se instalado permanentemente em mim. Nunca achei que fosse cuspir meus medos e receios e coisas escondidas dessa forma. Agora vejo que o limiar de outrora simplesmente foi superado. Estou dada a você de corpo e de todo.

Sem tarjas e com clichês.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

confissões

Hoje me peguei pensando no que ando pensando todo dia. Mais uma vez sua imagem doce me veio à mente e ao corpo com as conseqüências todas e a saudade de sempre sufocante. Mas hoje venho lhe falar coisas mais secretas, que sempre estiveram envolvidas, escondidas, longe dos outros – e longe de você, meu bem.

Não que tudo isso seja tão difícil, mas, à primeira vista, também não é fácil, por isso te peço paciência e doses de compreensão.

É que a anarquia tomou conta de mim, de tal modo que não mais consigo parar e pensar, porque ajo instintivamente em busca de você. Mas tenho receio de minhas crises e instabilidades diante de seu sorriso sempre bondoso. Não que eu não me ache merecedora de tudo isso. Pelo contrário. Mas é que tenho meus medos. E às vezes eles florescem à pele, assim, do nada, e me assustam, e me provocam arrepios e roubam meu sono diante de mil questionamentos.

(E quando olho pro lado eu vejo você.)

E nem falo de garantias. Estas nunca existiram e nem hão de aparecer por agora. Não nos iludamos.

Eu falo de mim mesma. E falo também de você. Do modo que você tomou conta de mim. De um modo que eu espero ser irreversível, eterno, sem perspectivas outrora e agora com centenas de sonhos pro futuro.

Mas o fato aparentemente seguro de te ter já é capaz de reunir todos os requisitos necessários para te perder. Por uma lista de motivos - fúteis ou cruéis - que me deixarão da mesma forma: parada, quieta e longe da vida.

Você não sabe, minha cara, como é dividir seus beijos com imagens de separação, de perda.
(De quem escutarei as melhores palavras no melhor dos sorrisos?)

Eu sei, parece loucura, mas é que pensar essas coisas já faz parte de mim. Não por este ser o futuro que visualizo, mas pelo grande medo de sê-lo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

passa segunda-feira
e eu peço:
- passa, saudade.

domingo, 7 de junho de 2009

pra todas as segundas-feiras

Hoje não é só segunda-feira.
Hoje é o dia da saudade.
É o dia escolhido sem pena
Pra me deixar entregue,
Sem rumo, sem nada.

sábado, 6 de junho de 2009

Eu só queria deixar claro como cada pedaço pequeno de mim se perde quando vejo seus olhos de adeus. Pode ser meu perfume, ou meu gosto, ou um bilhete. Qualquer coisa que você leva deixa a marca da saudade, que, a essas alturas, vem como dose letal, como golpe certeiro - único e fatal. Não que eu não me queria dar a você - meu bem, já sou sua. O problema é que não quero precisar deixar pedaços de mim. Eu quero você a milímetros daqui, quero confundir minhas pernas com suas pernas e seus sonhos toda noite. Quero me dar por completo, em tempo integral, para que você possa entender exatamente a medida de cada palavra que lhe digo. E quero, finalmente, não mais ver seus olhos de adeus e me contentar com os pedaços que você deixa de você.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Dança comigo essa dança
Canta assim alto pra eu ouvir, morena
Diga aos poucos a todos de tudo
Que esse samba não é pra criança.

Esse samba que deixa parado,
Esse samba que pulsa no peito,
Não falo de música, menina
Eu falo do que guardo aqui dentro.

É a música sem rima, sem jeito
Que basta seu gosto e seu cheiro
Pra fazer mexer os meus pés
Na sua pele
E te desejar no refrão e no desejo.

Acaba a letra, mas não termina o samba
Que fica cantarolando sozinho
Esperando você
Fazer real o que esses versos
Já dizem há muito e
Esperam o dia inteiro.